| Lançado Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas em todo o país Em Santa Catarina evento foi na sexta, dia 26, em Florianópolis Foi lançado em Santa Catarina, no último dia 26 de agosto, o Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas. A ação ocorreu em todo o país através do Sistema Conselhos de Psicologia em suas comemorações pelo Dia do Psicólogo (27 de agosto). Com a presença de mais de cem pessoas, entre psicólogos, estudantes, autoridades de outras áreas, a sede da Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) foi o palco para debates sobre o que existe hoje de políticas públicas com inserção dos psicólogos e o que mais poderia ser ampliado nesse sentido. O Centro objetiva produzir protocolos de referência para demandas da Psicologia em relação às Políticas Públicas. Um Banco de dados vai promover o intercâmbio de tecnologias e intervenções em Políticas Públicas entre os Profissionais que atuam neste campo e possibilitar a aproximação da profissão com o Poder Público, visando fortalecer o compromisso social da Psicologia. “Estaremos oferecendo dados para que os próprios psicólogos encontrem novas alternativas para implantar ações na sua área de atuação, bem como para os gestores públicos procurarem informações corretas sobre como a profissão pode contribuir em diversas áreas”, enfatizou Deise Maria do Nascimento, presidente do CRP-12, que fez a abertura do evento e apresentou o Centro de Referências Técnicas aos presentes. O vídeo passado com os depoimentos dos conselheiros federais, incluindo a presidente do CFP, Ana Bock, e do vice-presidente Marcus Vinicius, destacou que o Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas, o profissional dará visibilidade às práticas e se integrará a uma rede de articulação entre atores que podem trazer subsídios para elaboração de referências comuns desta categoria, em benefício da atenção ao usuário. Assim, a informação será um insumo estratégico para orientar a ação política das instituições públicas no que tange à abrangência da psicologia. O evento marcou o encerramento do Banco Social de Serviços em Psicologia, que realizou projetos junto às instituições públicas, como o de Apoio ao Trabalhador em Situação de Desemprego e de Atuação de Psicólogos em Processos Educacionais, entre outros. A presidente do CRP-12, Deise Maria do Nascimento, fez um balanço destas ações no Estado. Estiveram presentes a representante da Delegacia Regional do Trabalho, Maria Madalena Silva, e a psicóloga protagonista Gisele Mânica, parceiras do Banco Social. POLÍTICAS PÚBLICAS Depois foi debatida a inserção do psicólogo nas políticas públicas no Estado, com a presença de Elisia Puel, coordenadora de Saúde Mental do Estado, Adriano Zanotto, Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção SC, Juarez da Silva Thiesen, diretor de Educação Básica e Profissional da Secretaria de Estado da Educação, Ciência e Tecnologia e Cristiane Leal, psicóloga da Academia de Polícia da Secretaria de Segurança Pública e Defesa do Cidadão. (veja falas em outro link) Na seqüência ocorreu um debate sobre Psicologia, Formação, Exercício Profissional e Políticas Públicas, com a psicóloga Letícia Rauen Delpizzo, da Associação Catarinense de Terapia Familiar (Acatef), a psicóloga Adriana Porto Faria, a estudante Apoliana Regina Groff (FURB) e dos coordenadores de cursos de Psicologia, Suzana Tolfo (UFSC) e Paulo Sandrini (Unisul). PARA SABER MAIS Para saber tudo que ocorreu no Dia do Psicólogo 2005, você pode assistir o vídeo que foi gravado pelo CRP 12. Informe-se pelo e-mail projetos@crpsc.org.br ou (48) 244.4826 EXEMPLO Para entender melhor o que será o Centro de Referências, podemos destacar a atuação dos psicólogos policiais em Santa Catarina. Quando do ingresso deste profissional nos quadros da Secretaria de Segurança Pública e Defesa do Cidadão, em 1986, suas atribuições se restringiam à avaliação psicológica de candidatos à obtenção da Carteira Nacional de Habilitação. Foram os psicólogos que, ao decorrer dos anos, foram ampliando essa esfera, abrangendo hoje perícia psicológica por solicitação de juízes, promotores e delegados, atuação no Sistema Prisional, atendimento psicológico a policiais civis e familiares, atendimento em psicoterapia de apoio a vítimas de violência sexual e/ou física, entre outros serviços. No Brasil, não são todos os estados que oferecem estes serviços de atendimento psicológico, portanto o Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas terá a experiência catarinense relatada, registrada e divulgada e que poderá servir de exemplo para a implantação em outros locais. E assim será feito com outras áreas, algumas já tradicionalmente atendidas pelos psicólogos e outras onde o psicólogo ainda não foi inserido. Depoimentos: “Durante dois anos, os psicólogos brasileiros foram incitados a exercer a profissão em ações voluntárias que contribuíssem com as políticas públicas ou mesmo gerassem outras ações de apoio à sociedade. Em Santa Catarina foram implantados os projetos de Apoio ao Trabalhador em Situação de Desemprego, de Atuação de Psicólogos em Processos Educacionais e o de Ética na Televisão. No primeiro, foram 49 pessoas atendidas em quatro cidades catarinenses com o apoio dos postos do Sine e da Delegacia Regional do Trabalho. Encerrada esta etapa, em todo o país está sendo lançado o Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas que pretende oferecer subsídios das atividades onde o psicólogo atua e mostrar que é possível ampliar os serviços destes profissionais. O Centro servirá para psicólogos que atuam em políticas públicas, para gestores públicos poderem encontrar alternativas para suas ações e para a comunidade, que poderá entender melhor a importância do psicólogo dentro destas atividades” Deise Maria do Nascimento, presidente do CRP 12
“A ação de apoio ao trabalhador em situação de desemprego mostrou-se um desafio para o nosso dia-a-dia, mas também revelou que é possível agir para aumentar a auto-estima destas pessoas e fazê-las reagir diante da dificuldade. Gostaríamos que agora que este projeto pudesse ser transformado em ação com profissionais da Delegacia Regional do Trabalho, no entanto, com a nova estrutura a ser implantada de Superintendências, somente um concurso poderá dar continuidade através da formação de um corpo técnico específico” Maria Madalena Silva, da Delegacia Regional do Trabalho (DRT/SC)
“O trabalho iniciado com um grande grupo de pessoas em situação de desemprego sofreu restrições por fatores como a falta de recursos dos participantes para deslocamentos. No entanto, foi possível mostrar como é importante o papel do psicólogo nestas esferas de ação através das políticas públicas” Giselle Mânica, psicóloga protagonista do Banco Social de Serviços
“Psicologia e educação são áreas extremamente complementares e que devem sempre caminhar juntas. Em Santa Catarina trabalhamos com o conceito de escola aberta, ou seja, uma escola sem muros ou paredes que a separem da comunidade onde está inserida. Uma escola preocupada com o local, com a sociedade. Temos exemplos fortes nesse sentido, como a escola integral em diversas regiões do Estado, a escola aberta nos finais de semana para atividades culturais e esportivas. Nosso Estado é referência nacional na educação de jovens e adultos e temos um trabalho eficaz também na educação indígena com caráter inclusivo”. Juarez Thiesen, diretor de educação básica da Secretaria de Estado da Educação, Ciência e Tecnologia.
“Nossa história dentro da Secretaria de Segurança Pública iniciou há quase 20 anos com um concurso para 60 psicólogos que seriam contratados para a realização de exames psicotécnicos para a Carteira Nacional de Habilitação. Com o passar dos anos, nós passamos a implementar outros serviços dentro da Secretaria, como o atendimento aos policiais e familiares, a atenção especial às vítimas de agressão e violência sexual, atendimento dentro do sistema prisional e aos egressos das penitenciárias, bem como a ação dentro do Instituto Médico Legal. Espaço é o que não falta para a atuação dos psicólogos nestas políticas públicas, nós estamos fazendo nossa parte para mostrar isso”. Cristiane Elias Leal, psicóloga da Academia de Polícia da Secretaria de Segurança Pública e Defesa do Cidadão
“Depois de um exemplo numa das comarcas do Estado que contratou uma psicóloga para solução de conflitos entre funcionários, resolvemos realizar o mesmo trabalho dentro da OAB/SC para prevenção. Minha opinião é que os gestores públicos deixam de investir nas políticas públicas pela ausência de recursos, sem se dar conta que tais investimentos poderiam gerar melhores resultados na administração municipal, estadual ou federal. A questão da acessibilidade é uma das coisas que mais preocupam hoje, porque vemos pessoas com deficiências físicas que não precisam de pena mas de condições para estar em qualquer lugar, exercer sua cidadania. Diante de um mundo conflituoso, os psicólogos são profissionais imprescindíveis”. Adriano Zanotto, presidente da OAB/SC (Ordem dos Advogados do Brasil, seção Santa Catarina)
“Considero como excluídos em especial os que estão no sistema carcerário e os que estão no manicômio. Essas são pessoas que não possuem direito de escolhas, não são tratadas como cidadãos em plenitude e precisam estar longe de tudo e de todos para garantir a segurança do restante da sociedade. Na educação os psicólogos ainda são vistos como aqueles que precisam “melhorar um aluno” e não como um profissional que possa interagir nas relações entre pais, professores, alunos e funcionários. Há cerca de 10 anos os psicólogos estão construindo as alternativas para estas necessidades e por isso o Centro de Referências Técnicas transforma-se em importante banco de dados de trocas de experiências e resultados” Ana Lima, vice-presidente do CRP-12 |